domingo, 15 de fevereiro de 2009

Malditos piratas!

Na primeira série nós brincávamos no terreno baldio na frente da escola. Na nossa jurisdição predominavam o macadame (um barro vermelho, meio roxo, que chamávamos de barro vermelho, meio roxo) e alguma vegetação. Lugar ideal para ocultar tesouros e lacres de Coca-Cola que, somados dez, valiam outra garrafinha de Coca. Durante o dia nós procurávamos tesouros-pirata, o que fazia de nós piratas adversários, piratas traidores ou algum tipo de oficiais da receita federal, não sei dizer.

'Nós' somos eu, o Rodriguinho, o Fernando, a Heloísa Espíndola, a outra Heloísa, a Tunachara e a odiosa Kaline. Um dia o Fernando me confidenciou uma descoberta importantíssima, informação vinda lá do porto de Itajaí, entreouvida entre um container e outro: os cachorros latem à noite, quando tem piratas por perto. Quem disse foi um estivador barbudo e eu deveria ficar atenta na reação dos cachorros da dona Dalva, vizinha minha, da escola e do terreno baldio.

Eram dois salsichas e eu mal dormia à noite, de tanto que latiam. Só de susto, a medrosinha. Nem imaginava a possibilidade da pirata ser eu - e daí a razão para o alarde canino. Vai ver eu ainda precisava de uns uns vinte anos para descobrir isso e perder o medo. No momento os cachorros da vizinha latem, mas são outros e é outra vizinha.

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Estava dando uma olhada na nova lista do NME (New Musical Express - a lista que sugere as bandas das quais ainda vamos ouvir falar no ano) e Florence and the machine me chamou a atenção por causa do tapa-olho na música Girl with one eye. O clipe de Dog days are over é superlegal, aquela coisa de jogar purpurina dourada na cara é lindo, mas uma banda que tem uma música chamada Girl with one eye, sinceramente, não precisa de mais nada.

Ih, onde eu deixei a garrafa de rum?

Tchau, beijos.


Florence and the machine no Myspace.


2 comentários:

Gabriela disse...

Puxa que puxa Dani, você tem memória!
Eu não lembro de nada de legal da infância, nem da adolescência (ok, aqui é culpa dos entorpecentes e afins), e nem de minha 'adultescência', que eu nem sei dizer se já chegou.
Mas, puxa, lembrar dessas brincadeiras. Eu lembro apenas de aprender cantar "ratátátá... era um garoto que como eu..." e "maria, maria é um dom..." nas "aulas de música". NADA MAIS além de pequenos flashs infelizes.

O que você come? acho que preciso de vitaminas para a memória, estou começando a me preocupar.

ps.: vou procurar algum disco dessa banda, quem sabe você me sirva de inspiração para algum post, estou tão preguiçosa.

rodolfoviana disse...

eu não caçava tesouro. era do escrete flibusteiro inimigo, acho (mas na época eu não tinha essa ideia). em vez de procurar arcas alheias, baús de ouro e chapinhas de refrigerante taí, eu enterrava meus bonequinhos do he-man. no dia seguinte, para minha surpresa, eles não estavam mais lá. nunca. foram desenterrados na surdina durante a madrugada por bucaneiros (seriam piratas, apenas?) ou saíram por conta própria, com a ajuda dos companheiros de plástico.

prefiro acreditar que meus bonecos estão por aí, e que se reúnem às quintas-feiras para rir da minha cara.

(mas se eu souber que meus bonecos sumiram porque você os encontrou, vamos ter um problemão.)